Saúde do Homem
Prostatites

O que é?

É a inflamação aguda ou crônica, geralmente por bactérias. Existem outros tipos de prostatite, porém mais raros e não vinculadas com bactérias, como as prostatites não bacterianas (virais, fúngicas, granulomatosas). A prostatodinia seria uma situação na qual os sintomas se assemelham à prostatite, entretanto nenhum agente infeccioso é encontrado, ficando entre suas causas desde espasmos da musculatura perineal até estresse emocional.

PROSTATITES – CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO O NIH:

 

Categoria I Prostatite bacteriana aguda

Categoria II Prostatite bacteriana crônica

Categoria III Prostatite crônica/ síndrome dolorosa pélvica crônica

III a Inflamatória ( antiga prostatite crônica acteriana)

III b Não-inflamatória ( antiga prostatodinia )

Categoria IV Prostatite inflamatória assintomática

Como a Prostatite aparece ?

PROSTATITE

Apesar do seu nome, a prostatite infecciosa, tanto aguda como crônica, não é uma doença contagiosa, não podendo ser considerada uma DST (doença sexualmente transmissível). Desse modo, não pense que se infectou a partir da sua parceira sexual ou que ela pode ser contagiada por si.


A prostatite ocorre devido a vários fatores: migração de bactérias através da uretra em direção à próstata, deficiências da atividade antibacteriana da secreção prostática (a falta de zinco na secreção é freqüentemente apontada), falta de anticorpos locais e sistêmicos. Cada paciente pode apresentar preponderância de um ou de mais fatores. A bactéria mais comum encontrada em prostatites infecciosas é a Escherichia coli (80%) a qual também é a mais encontrada em infecções do aparelho urinário. Microorganismos causadores de doenças sexualmente transmissíveis também são responsáveis por prostatites, principalmente, prostatite aguda. É o caso da Chlamydia trachomatis .

Mas então como é que apanhou a infecção?

De fato, você passa a ter um risco aumentado de ter uma prostatite se:

•  Teve recentemente uma instrumentação uretral, por exemplo uma passagem de sonda (a aplicação de um tubo mole e lubrificado que drena a urina existente dentro da bexiga), no decorrer de uma intervenção cirúrgica ou por ter entrado em retenção aguda da urina;

•  Tem uma próstata muito aumentada de volume (hipertrofia benigna da próstata) provocando dificuldade miccional;

•  Teve recentemente uma infecção urinária;

•  Tem uma qualquer malformação congênita do aparelho urinário

Quais os sintomas ?

Ardência ou dor para urinar, freqüência urinária aumentada, dor na musculatura entre as pernas (períneo) e às vezes secreção uretral são os sintomas mais encontrados. Nas prostatites agudas, o quadro clínico é mais grave, com presença de mal estar geral, febre, mialgias e dor abdominal. Na prostatite crônica, os sintomas são mais sutis com desconforto no períneo, testículos e região lombar. Aumento da freqüência miccional diurna e noturna (polaciúria e noctúria), diminuição da libido, ejaculação dolorosa são sintomas também relatados pelos pacientes.

Como se faz o diagnóstico?

Um exame físico completo é necessário a fim de se descartar outras patologias que possam estar provocando os mesmos sintomas. Um toque retal mostrará uma próstata dolorosa, embora na prostatite crônica possa estar normal. O médico não deverá massagear a próstata a fim de não intensificar os sintomas. Exames de urina mostrarão a presença de bactérias, de leucócitos (pus) e de sangramento microscópico (hematúria). A urocultura com antibiograma identificará o germe, bem como orientará na escolha do antibiótico. A prostatite aguda geralmente é mais fácil de diagnosticar. O mesmo não acontece com a prostatite crônica que, além de muitas vezes não se achar o agente infeccioso, deve ser diferenciada de outras síndromes que ocasionam sintomatologia similar.

História de prostatite aguda prévia, infecção urinária no passado ou urocultura atual positiva reforçam o diagnóstico de prostatite crônica. Culturas fracionadas de urina (primeiro jato urinário, jato médio, urina pós-massagem prostática) são úteis no diagnóstico. A ecografia transretal da próstata não acrescenta muito mais.

Como se trata?

O tratamento das prostatites bacterianas é com antibióticos. A urocultura com antibiograma orienta na escolha do antibiótico somada à experiência do médico.

A prostatite aguda, sendo uma situação mais grave, exige um tratamento mais agressivo com antibióticos intramuscular ou endovenosos, hidratação do paciente, combate à dor e à febre; internação hospitalar é muitas vezes necessária.

Existem situações nas quais nenhuma bactéria é encontrada e os sintomas são semelhantes à prostatite crônica. Esses pacientes talvez sofram de dor pélvica crônica a qual é de difícil tratamento. Banho de assento morno, atividade sexual regular, evitar ciclismo, anti-inflamatórios, benzodiazepínicos, antidepressivos, antibióticos e eletroestimulação perineal já foram utilizados nessa síndrome, mostrando a ineficiência de uma única terapia.

Fatores que impedem a cura da : PROSTATITE CRÔNICA BACTERIANA

 

Por quê é tão difícil de curar uma prostatite ?

1. Cálculos prostáticos , os quais se apresentam em maior incidência em pacientes com prostatite crônica, supostamente servem de focos persistentes de bacterias, difíceis de erradicar. A maioria dos pacientes com cálculos prostáticos são assintomáticos, a tal ponto, que se sabe que aproximadamente uns 50 a 70% dos pacientes que se submetem a ecossonografias prostáticas endorretais, têm cálculos prostáticos localizados usualmente na zona de transição de McNeal em sua região mais posterior, limitando com a zona periférica (cápsula cirúrgica).

2. Dificuldade em alcançar altos níveis de antimicrobiano, uniformemente em todas as áreas prostáticas e/ou em áreas localizadas de infecção , dentro da glândula prostática, desencadeando os tratamentos prolongados. Usualmente são infecções polimicrobianas, que mascaram os resultados positivos do tratamento, motivo pelo qual , pensa-se que as síndromes prostáticas, são patologias que nunca se poderão "curar" completamente. É muito importante, esclarecer isto ao paciente, sobretudo para evitar repercussões de tipo emocional, que agravariam o quadro clínico e para tratar de diminuir o grau de desistência a consulta que tem este tipo de pacientes pela pouca informação sobre sua patologia de base. O pH do meio glandular, assim como as características anatômicas da glândula prostática (barreira hematoepitelial) faz que seja muito difícil alcançar níveis terapêuticos dos medicamentos antimicrobianos utilizados.

3. Mudanças do pH do fluido prostático associado com a infecção , que limitará a difusão do antibiótico dentro da glândula prostática.

4. Presença de biofilmes protetores de bacterias , impedindo a ação dos antibióticos.

5. Aspectos anatômicos da glândula prostática . A anatomia da glândula prostática tem áreas de compartimento independentes, com secreções prostáticas inflamatórias, que poderiam "obstruir" os condutos das glândulas prostáticas, com o qual se estariam criando zonas "isoladas" dentro da glândula, a espera de fatores que possam reativar a infecção e a sintomatologia.

Os ductos intraglandulares estão mais horizontais e oblíquos dependendo da zona anatómico-topográfica de McNeal, fazendo com que a drenagem das secreções prostáticas se façam mais fácil ou mais difícil, tornando neste último caso a erradicação da inflamação correspondente, pela estase das secreções prostáticas (intraglandulares). Recordemos que os dutos prostáticos da zona periférica, tendem a drenar em ângulo reto junto com os dutos ejaculadores e por tanto são vulneráveis a infecção por organismos que ascendem através da uretra. O contrário sucede com os ductos que drenam a zona central de McNeal, os quais estão paralelos aos ductos ejaculadores, tornando-se mais resistentes a infecção, por organismos presentes na uretra. Esta arquitetura é em grande parte responsável pelos resultados terapêuticos ruins obtidos nestas síndromes.

6. Aspectos relacionados com os hábitos do paciente- Áreas dietéticas, sociais e sexuais, os quais impediriam a melhora e produziriam recorrência da sintomatologia prostática.

7. Aspectos Psicoemocionais . Não existe a menor dúvida que a glândula prostática está associado ao psicosomatismo humano: estados de ansiedade por diversas causas , a tensão emocional ou stress excessivo, desencadeiam uma hipertonia simpática alfa 1-adrenergica que contraem o componente estromal (musculatura lisa prostática, capsular, cervical e uretral), o que contribuirá para a falta de relaxamento e drenagem das secreções prostáticas através do componente epitelial-glandular, o que dificultará a drenagem natural e favorecerá a persistência da congestão prostática que limitará a cura das síndromes prostáticas.